Esqueça o boi castrado, novilha precoce é lucro certo. - Mario FreireMario Freire
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Esqueça o boi castrado, novilha precoce é lucro certo.

Postado por Mário Freire em 12 de janeiro de 2019
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Precocidade, qualidade da carne e bonificação no abate são atrativos para os pecuaristas que investem no cruzamento entre raças!

Já não é mais uma novidade o quanto o cruzamento entre raças tem gerado bons frutos para os pecuaristas que apostam nesse sistema. É nítido o quanto a heterose tem ganhado força, principalmente no tocante da precocidade das novilhas Angus x Nelore.

O Brasil tem passado por uma mudança na pecuária de corte que é extremamente importante, principalmente quando olhamos para o mercado externo. Passamos de um boi que era abatido com 4 anos e com uma qualidade de carne sem classificação, para um animal abatido aos 21 meses com uma carne que tem classificação premium.

Todo esse avanço da nutrição, manejo, genética e gestão foi necessário e cada vez mais deve ser levado em consideração para quem quer permanecer competitivo dentro da atividade. Mas vamos ao que interessa, o lucro com a novilha precoce.

O ano de 2018 teve um abate recorde de fêmeas, certo ? Sim, o crescimento foi de mais de 2% em relação a 2017. Entretanto é preciso ter uma análise desses dados para entender melhor o que tem acontecido antes de achar que as matrizes estão acabando.

Segundo um levantamento realizado entre os frigoríficos, a maior parte dessas fêmeas abatidas são novilhas precoces. Isso é extremamente positivo para os pecuaristas que apostam nesse sistema.

Nos últimos dez anos, o animal cruzado preto teve uma supervalorização, sendo a categoria mais valorizada do mercado atualmente. Já o mercado de exportação de animais vivos, nos últimos anos, também está com foco no animal cruzado, principalmente preto. Estamos falando de um animal que é muito bom para a rentabilidade do pecuarista.

Com apenas 14 meses de idade, essa fêmea está muito leve para poder ir para o gancho, mas pela precocidade da raça Angus, ela tem uma facilidade enorme de prenhez. Importante observar que a fertilidade dessa F1 é de 10 a 15% superior do que as raças que deram origem a ela, ou seja, a heterose se aplica também à parte da fertilidade, e se torna um ponto chave de sucesso dentro do sistema de cria.

Em função do programa de qualidade da carne Angus, a fêmea F1, com até quatro dentes, é valorizada a preço de macho. E ela consegue atingir um peso e um acabamento de carcaça com quatro dentes, além de estar te deixando um produto no meio do caminho, tão bem valorizado (cria).

Vamos fazer uma conta rápida para demonstrar o valor que tem essa novilha cruzada no mercado e o lucro para o pecuarista:

Primeiro cenário: Imaginemos que você venda suas F1 Angus gordas com 13 arrobas e 18 meses de idade, vendendo as mesmas pelo preço de boi , como alguns programas vêm pagando.

Com arroba do boi a R$ 150,00, seu faturamento seria de aproximadamente R$ 1.950,00.

Segundo cenário: Se emprenhá-las com 14 meses e abate-las após a desmama do seu primeiro bezerro, vendendo as mesmas com até 4 dentes (até 30 meses de idade) pesando 18 arrobas.

Você receberá em torno de R$ 2.970,00 com as premiações (preço da arroba do macho + 10%), apurando ainda entre 7 e 8 arrobas pelo seu bezerro (em torno de R$ 1.200,00).

Concluímos então que cada novilha sua abatida após a 1ª desmama nos programas de carne de qualidade rendem R$ 2.220,00 a mais que se abatê-la com 18 meses.

Se tirarmos os custos de 12 meses de pastagens a mais que suas vacas ficariam na fazenda para desmamar o 1º bezerro (custo de R$ 40,00 x 12 meses = R$ 480,00 ). O Resultado dessa novilha parida e abatida será R$ 2.220,00 – R$ 480,00 = R$ 1.740,00.

Em resumo, quando você soma uma maior eficiência de produção com um valor agregado, esse cruzamento se torna uma receita de sucesso imbatível.

Fonte: Thiago Pereira
Zootecnista pela Universidade Federal de Viçosa MBA em Gestão de Projetos pela UNIUBE, idealizador do projeto Tecnologia para o Agronegócio.

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