O importante em qualquer sistema de pastejo é o consumo de energia relacionado com a disponibilidade da forragem, proporção de folhas na pastagem, digestibilidade e consumo de forragem, além da produção de matéria natural e/ou matéria seca da planta em questão.
Uma das grandes dificuldades dos criadores de rebanho bovino a pasto é garantir produção de forragens de qualidade e um consumo de energia adequado durante o ano todo.
No sistema de pastejo rotacionado, esse problema tende a ser resolvido. A pastagem é subdividida em um número variável de piquetes que são utilizados um após o outro, podendo ter um número fixo ou variável de animais. Os piquetes são submetidos a períodos alternados de pastejo e descanso. A grande vantagem deste método é proporcionar um maior controle, uniformidade e eficiência dos pastejos.
O aumento na eficiência de colheita da forragem pelos animais se deve graças à uniformidade do pastejo proporcionado e não devido ao aumento na produção de forragem, afirma o professor Adilson de Paula Almeida Aguiar. Em outras palavras, a adoção de pastejo rotacionado rápido, com alta lotação animal, em menores áreas, contribui para a uniformização do pastejo e ganhos em produtividade.
1- Como dividir e cercar os piquetes:
Pode-se aproveitar as divisões já existentes ou redividir os pastos de acordo com o número de animais e as forrageiras cultivadas. Para cercar, pode-se economizar aproveitando arame e estacas já existentes para fazer as divisões dos piquetes.
As cercas elétricas têm tido um custo de implantação quatro vezes mais baixo que o de cercas convencionais em divisões de grandes áreas, devido à menor necessidade de isoladores de canto (Tipo castanha), esticadores, colchetes, lascas ou postes e pela diluição dos custos desses materiais e do eletrificador em um maior número de hectares. A durabilidade da cerca elétrica é de aproximadamente 8 anos.
2- Qual o melhor formato dos piquetes:
A forma quadrada ou a retangular são as indicadas como mais eficientes, pois pesquisas indicam pastejo mais uniforme. Vale ressaltar que o comprimento não deve passar em três vezes a medida da largura.
3- Quantos piquetes a propriedade deve ter:
Segundo o consultor Marco Balsalobre e a pesquisadora Patrícia M. Santos, o número de piquetes depende do período de descanso e do período de ocupação indicados para a forrageira que se está trabalhando e deve ser calculado de acordo com a seguinte equação:
Número de piquetes = (período de descanso / período de ocupação) + 1
Sendo assim, quanto menor o período de ocupação para um mesmo período de descanso maior será a necessidade de número de piquetes.
Quanto maior a taxa de crescimento da planta forrageira (ex: área adubada), menor deve ser o período de ocupação. Entretanto, deve-se ter o conceito de que quanto menor o período de ocupação maior será a eficiência do pastejo e portanto maior será a lotação animal.
4- Como definir o período de ocupação dos lotes:
O período de ocupação dos piquetes depende da estrutura disponível e principalmente do ritmo de crescimento das plantas, o que varia muito de região para região e exige uma boa análise dos períodos de rebrota para a definição correta dos períodos de descanso. A adubação dos pastos também é imprescindível nesse sistema para corrigir as perdas e evitar queda na produção de forragem.
5- Áreas de descanso:
A construção de “áreas de lazer” ou “área de descanso” com fonte de água, saleiros e sombra comuns a todos os pastos ou piquetes gera economia no sistema rotacionado. Pode ser através de um corredor ou na divisão entre quatro pastos.
6- Exemplo de como fazer a rotação:
Deve-se começar reduzindo o número de lotes de pastejo da propriedade. Por exemplo, em uma fazenda com 6 divisões de 50 ha, onde cada uma é ocupada continuamente por lotes de 50 animais, o pastejo rotacionado deve ser iniciado reunindo-se os 300 animais em um só pasto, enquanto os outros ficam vedados. Após pastejar a primeira área, todo o lote deve ser transferido para a segunda, e assim sucessivamente, até retornar à primeira.
No primeiro pastejo, deve-se entrar nos piquetes antes do período de descanso estabelecido e fazer pastejos leves. Assim, evita-se que os últimos piquetes fiquem muito passados. Outra alternativa é de se colocar um número menor de animais e ir aumentando conforme a necessidade.
7- Outros cuidados importantes no sistema:
Se a oferta de forragem estiver em níveis adequados, houver espaço adequado no cocho de sal e no bebedouro, não haverá competição entre os animais.
O manejo no curral, corredor, entrada e saída dos piquetes também influencia no sucesso desse sistema. Os espaços disponibilizados devem permitir boa circulação do rebanho e a equipe bem preparada para conduzir os animais sem estresse.
Colaboração: Prof. Michel Ruan dos Santos Nogueira
Fonte: Fundação Roge
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